quinta-feira, 3 de abril de 2014

DESABAFO

Esta farpa encrustada neste peito
verte em pena poética a amargura
fazendo-me sensata na ventura
de consolar a dor no verso feito.

As flores suavizam meu trejeito
enfeitando-o de morte e formosura
e a voz enrijecida, toda escura,
reveste de sepulcro o próprio leito.

A minha escrava alma... pobrezinha...
sem mais lágrimas chora... e definha...
suspira um santo nome à exaustão.

Não aceito a eternidade tão sozinha,
beijo aquela face que é tão minha,
deliro com meus lábios na ilusão.

Poema de Della Coelho

quarta-feira, 2 de abril de 2014

PRÍNCIPE


Senhor, encontro-me à sombra de nosso amar.
Por que demoras tanto a encontrar o nosso lar?

Senhor, tantas e tantas vezes, penso em desistir,
mas tu'Alma em mim obriga-me fielmente a prosseguir.

Senhor, há tempos que não acredito que sejas meu,
no entanto jamais entenderia por que minha sina nasceu.

Senhor, temo tanto que sejais somente imaginação,
não suportaria seres simplesmente uma pobre nuvem de ilusão.

Senhor, por onde andas? Por que tardais?
Por ti iria até à morte abrindo todos os portais!

Senhor, meu tempo passa, é breve o caminho,
sento-me à estrada, já não sou mais a jovem de teu ninho.

Senhor, a cada lua, é mais distante nossa canção,
será que reconheces ainda os meus olhos de paixão?

Senhor, talvez escureça e te esqueças de me buscar,
adormecerei tendo a nossa Lua e as Estrelas como abraçar.

Senhor, sinto que sentes em ti a mesma dor,
é a farpa que te move pela nossa promessa de Amor.

Senhor, canto para abrandar o colo meu
que tua ausência infinita a felicidade escureceu.

Senhor, nem sei se posso dizer que temos uma história,
só sei que tua vida é parte vital de minha memória.

Senhor, o que fazer se nunca mais teus olhos quiserem me olhar?
Morrerei sentenciada te esperando para sempre em nosso mar.


Poema de Della Coelho


terça-feira, 1 de abril de 2014

INCERTEZA


Na desordem desta sina confusa,
sonhos partidos merecem sofrer,
convém a angústia ao acaso escolher,
preso nos elos da treva difusa.

Arrasto-me em versos de Flor desusa
clamando o pranto ao brado converter
a Crucificada de fel prazer.
Priva-me da cova a pena intrusa!


Será que viverei eternamente
chorando a eterna dor do Amor ausente
para enfim ser coroada em um altar?

Ou irão essas lágrimas tristemente
irrigarem as Flores lentamente
enternecendo meu último acordar?


Poema de Della Coelho