quinta-feira, 11 de maio de 2017

PAIXÃO CRUCIFICADA






Um poema ao meu Amor
gostaria eu de engenhar
para que pudesse entre Flores
uma surpresa deleitosa a ti ofertar.

No entanto nada surpreende
o meu Ardor ao mundo eu cantar,
já que as Estrelas gritam aos Poetas
como é Eterno o meu Amar.

Se a Arte tivesse, o Engenho eu usaria
e talvez um breve pensamento teu
em  Calor me consolaria.
Mas nem Caolha ... nem Flor...
sigo, então, cantando rimas pobres
que exalam uma saudade inflamada em minha dor.

E, assim, estando ao meu lado em separado
trago-te junto de mim em minh `Alma enraizado.
Em comunhão perfeita do primoroso universo Homérico,
precisas sonhos unidos na maestria de belos versos.

Nessa sutileza poética em essência alcançada
sublimas a harmonia no rubor versejada.
Em analogia da compaixão em dois corpos sentida,
a cumplicidade inspira-se no maior Amor dado em uma Vida.
Essa afeição verdadeira tem como atos seu sobrenome
e expressa em penas o sentimento vital que nos consome.

Em deserto árido, jejuas comigo as dores minhas
e até segues em meu santuário nesta cruel comprida sina.
Amparas em mim as cruzes conseguidas
e tua ausência é a minha chaga mais dolorida.

Na via-crúcis desta Paixão Infinita,
nem há desejo de voltar a uma remediada vida.
Se o cálice bebido é o Ardor por ti em mim destinado,
sugo-o em lágrimas e entrego-me em Alma ao meu Santo Calvário.

O peso da cruz que sacra –me em meus defeitos
asfixia-me na solidão de morte presa em meu leito.
Os adeuses por teus lábios exalados
são os cravos pouco a pouco em mim enfincados.
E a lança mortal que extingue definitivamente minha essência
é quando penso que olhas outra em toda a sua magnificência.

Entretanto, o sangue por Amor Verdadeiro derramado
transforma todas as dores em bálsamos exalados.
E porque o Homem- Deus à morte venceu,
uno-me a Ele e no esplendor de sua glória
creio que abençoará a Paixão dos versos meus.


Poema de Della Coelho
Imagem: google.com


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